Na vida dos solteiros, pode haver três tipos de amizade entre os rapazes e as moças: a amizade, a amizade com observação e a amizade com compromisso.


A amizade

O primeiro tipo de relacionamento é a amizade pura e simples, nada mais do que isso. O empenho dos rapazes e das moças é por desfrutar de um relacionamento sadio, livre de qualquer pressão emocional, para que cresçam e amadureçam no Senhor.

O ambiente produzido entre rapazes e moças deve ser rico em amizade. Buscar essa boa comunhão onde os rapazes vão aprender a serem cavalheiros, gentis, cordiais e educados e onde as irmãs aprenderão a serem dóceis e discretas. Assim, todos crescerão sem pressões emocionais ou segundas inten­ções.


O primeiro tipo de relacionamento é a amizade pura e simples.

Um relacionamento assim vai produzir edificação e matu­ridade. Podem orar, edificar, profetizar e servir. É importante que não exista por parte dos irmãos, solteiros ou casados, o comportamento irresponsável de instigar e pressionar o solteiro a um relacionamento prematuro de observação ou compromisso. É o que chamamos de “torcidas organizadas”, isso pode atrapalhar a vida de muitos irmãos.

Nesse ambiente de muitas amizades, poderá surgir um interesse por alguém, o que, adiante, será transformado em observação.


O Relacionamento com o mundo

Devemos ter muito cuidado com o mundo. Estamos no mundo, mas não pertencemos a ele. Temos contato com as pessoas do mundo, mas não temos comunhão com elas.

Eu lhes tenho dado a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como também eu não sou. Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. Eles não são do mundo, como também eu não sou. Jo 17.14-16.

Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as tre­vas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo? 2Co 6.14-15.

Nosso relacionamento com os de fora deve ser limitado e ter como objetivo a proclamação do evangelho. Não o des­frutar de uma amizade.


O namoro no mundo

Dentre os significados da palavra namoro que aparecem nos dicionários, destacamos os seguintes: flertar, na­moriscar, inspirar amor ou tornar-se amoroso; apaixonar(-se), seduzir ou deixar(-se) seduzir, atrair ou sentir(-se) atraído.

Aquilo que o mundo chama de namoro, as Escrituras chamam de pecado por estar cheio de impureza, lascívia e egoísmo.

Na prática, encontramos o seguinte significado para o namoro do mundo moderno: é o relacionamento entre dois jovens, com o objetivo de diversão e prazer, no qual, na maio­ria das vezes, existe a liberdade para o contato físico reservado para pessoas casadas, sem as responsabilidades e o compro­misso do casamento. E, infelizmente, encontramos a mesma prática no meio de muitos que se declaram cristãos.

É necessário, portanto, conceituar o namoro novamente, à luz das Escrituras. Para isso, vejamos o contraste entre a visão do mundo e a visão das Escrituras com relação ao assunto.

Para o mundo, o namoro faz parte do desenvolvimento natural do indivíduo, onde o amor é confundido com paixão e sexo, e onde as motivações estão concentradas na satisfação de desejos e necessidades pessoais.

As Escrituras Sagradas chamam esse namoro de pecado por estar cheio de sedução, impureza, lascívia, fornicação, cobiça e egoísmo (Gl 5.19-21; Cl 3.5-6). A intimidade física é exclusiva para o casamento. Os namorados são solteiros. Toda intimidade física no namoro é impura e ofende a Deus.

Ora, as obras da carne são conhecidas e são: pros­tituição, impureza, lascívia, (…) que não herdarão o reino dos céus os que tais coisas praticam. Gl 5.19-21.

Por tudo isso, não utilizamos a pala­vra namoro entre nós, por considerá-la inadequada; chamamos de compromisso. Trata-se do pacto assumido entre duas pessoas que se amam, com o objetivo de se casarem e seguirem como família, co­operando com Deus para a realização do Seu propósito.

A intimidade física é exclusiva para o casamento. Toda intimidade física no namoro é impura e ofende a Deus.

Na leitura das Escrituras, percebemos que, para Deus, existem apenas três tipos de estado civil: os solteiros, os viúvos e os casados. Não há uma condição intermediária, os compro­metidos são solteiros.

Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição; que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra, não com o desejo de lascívia, como os gentios que não conhecem a Deus; e que, nesta matéria, ninguém ofenda nem defraude a seu irmão; porque o Senhor, contra todas estas coisas, como antes vos avisamos e testificamos claramente, é o vingador, porquanto Deus não nos chamou para a impureza, e sim para a santificação. Dessarte, quem rejeita estas coisas não rejeita o homem, e sim a Deus, que também vos dá o seu Espírito Santo. 1Ts 4.3-8.


A paixão

A paixão é um sentimento, uma emoção. Surgir um sen­timento é normal; porém, um discípulo tem controle sobre todas as suas paixões. Ser dominado e dirigir a vida por sen­timentos e paixões é absolutamente errado. Toda paixão deve estar submissa à vontade de Deus e toda paixão em desacordo com a vontade de Deus deve ser abandonada.

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? Jr 17.9.

Ouve, filho meu, e sê sábio; guia retamente no cami­nho o teu coração. Pv 23.19.

O mundo diz para seguir o coração. Mas a Palavra do Se­nhor nos adverte, dizendo que o coração é enganoso e que nós devemos guiá-lo retamente e não sermos guiados por ele.


A amizade com observação

O segundo tipo de relacionamento entre solteiros, cha­mamos de observação. Esse relacionamento ainda é uma simples amizade, porém, com um ingrediente a mais: um interesse e um senso de observação mais aguçado com relação a determinada(o) irmã(o). A amizade será desenvolvida e apro­fundada, buscando conhecer melhor a pessoa observada.


A observação tem duas fases:

a. A primeira fase da observação

A fase inicial da observação é uma fase na qual o(a) jovem ainda não está definido(a) pela pessoa observada. Por isso, é muito importante que a observação seja discreta e invisível. Apenas o discipulador, o companheiro e os pais do(a) próprio jovem devem ser envolvidos para ajudá-lo a observar e discer­nir o necessário na outra pessoa.

Nessa fase, o(a) discípulo(a) não deve dar “dicas” para quem está observando. Não deve haver declarações que comprome­tam ou que despertem interesse (ex.: gosto de você, só penso em você, etc.). Isso é muito importante por dois motivos fun­damentais: primeiro, porque a tendência natural de quem está sendo observado é criar uma “máscara”, prejudicando a visão de quem observa; segundo, por­que pode ser despertado no coração da pessoa observada um sentimento ou uma expectativa que, talvez, não seja suprida. Nesse momento, o discípulo não deve comprometer sua palavra (Mt 5.37). Precisamos ser responsáveis no que diz respeito a esse assunto.

A primeira fase da observação é discreta e invisível. Não deve haver declarações que comprometam.

Se, durante essa fase de observação, o discípulo chegar à conclusão de que não é aquela pessoa com a qual deseja se casar, ele deve “sair da observação” sem deixar marcas. Se ele agiu com a devida discrição, não deixará feridas após o fim da observação.

Caso, durante essa observação, surja um real interesse pela outra pessoa, ele(a) poderá passar para a fase final.


b. A fase final da observação

A observação deverá seguir discreta, até que haja um real interesse e bom nível de definição por parte daquele que tem a iniciativa de observar. Caso o interesse se concretize, para uma confirmação de suas convicções, o (a) jovem poderá passar para uma fase final da observação, menos discreta.

Nesse momento, ele solicitará o aval dos pais, vínculos próximos e autoridades ligadas a ambas as partes, para o re­lacionamento poder se tornar mais próximo e visível, para crescerem na amizade, conhecimento mútuo e convicção na decisão.

Nessa fase, ambos saberão do interesse de um ou dos dois, porém ainda não há um compromisso para o casamento. Também isso não é anunciado publicamente e deve ter curta duração – 3 a 4 meses, no máximo. Se algum irmão perguntar, será informado que eles estão em fase final de observação.

Em muitos casos, aquele que tomou a iniciativa de observar, pode ainda não saber se é correspondido. A outra parte pode pedir um tempo para observar e pensar. Se, ao final, não hou­ver interesse por parte do outro, é importante que aquele(a) que está apto(a) a observar tenha maturidade emocional para suportar alguma decepção sem ficar desanimado(a) nem ter sua fé abalada.


O que devo observar?

A observação deve ser sincera e criteriosa. Cuidado para não ficar prejudicada pelo sentimento do coração. Como diz o di­tado: “o amor é cego, mas o casamento lhe abrirá os olhos”.

A seguir, temos uma lista com características importantes a observar na vida de todo rapaz ou moça. Algumas dessas, apesar de aparecerem apenas em uma das colunas, valem para ambos.


MOÇAS
RAPAZES
Fiel e estável na fé Fiel e estável na fé
Ajudadora e companheira Amoroso e não egoísta
Mansa e submissa Não iracundo
Boa relação com os pais Boa relação com os pais
Alegre e grata a Deus Submisso às autoridades
Não rixosa Corajoso e decidido
Respeitadora Tem as prioridades em ordem
Trabalhadora e responsável Trabalhador e responsável
Ordeira e higiênica Age por fé e princípios, não por impulsos
Discreta e feminina Masculino, sem “trejeitos”
Deseja fazer discípulos Deseja fazer discípulos

O que fazer na observação?

O discípulo está caminhando para tomar uma das decisões mais importantes da sua vida, então deve colocar o joelho no chão e buscar a Deus para não ser enganado pelo seu coração.

O conselho é um dos elementos principais nesse momento. O discípulo deve conversar com seus pais, com seu discipu­lador, com o companheiro, líderes e pastores, ouvindo com atenção e considerando cada palavra. Não deve haver pressa nem ansiedade.

Onde não há conselho fracassam os projetos, mas com os muitos conselheiros há bom êxito. Pv 15.22.

Esta hora é para buscar convicção, diante de Deus, certeza de que esta é a pessoa certa para se casar. Ainda não é momento para dar asas ao coração. Gostar é condição necessária, mas não suficiente para casar-se.

Concluída a observação, o que fazer?

Caso, após a criteriosa observação, a conclusão seja “sim, essa é a pessoa certa”, então, debaixo de conselho e orienta­ção dos pais e autoridades na igreja, os discípulos poderão declarar-se, assumindo um compromisso para casamento.

A escolha do futuro cônjuge é uma das decisões mais importantes da vida. Muita oração e busca de conselho são fundamentais.